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quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Atrasadíssimo Projeto H #semana01 e #semana02

Antes de iniciar, como no post anterior, durante o processo desse fui ouvindo algumas músicas, rock clássico de novo e um álbum completo do duo Syntax, Meccano Mind - os caras são bons demais. Aqui vai o link pra se poder ouvir esse álbum enquanto lê isso e entrar no clima. É música eletrônica, mas tem uns nuances muito gostosos de lôbrego, pelo menos para mim.



Agora, vamos! 

Atrasadíssimo, como dito no título desse post, no entanto, posso me explicar, fiquei escrevendo, lendo e relendo, arrumando aqui e ali, assistindo mais do que lendo e também trabalhando... por isso, não pude concluir tudo no prazo, mas essa semana creio que também coloco a #semana03 aqui, afinal, a coisa já tá andando melhor que antes. Bem, continuando o que era pra ter sido a #semana01 (rsrsrsrs), venho falar dessa vez sobre contos que li essas duas semanas primeiras semanas, mas, ressalvo, que ainda estou lendo alguns nessa terceira, confesso que a quantidade dessas duas primeiras semanas foi bem menor que pretendia, mas, ao menos foram bons contos. Li alguns contos do livro Contos de Horror do Século XIX e outros de outros livros, como uns de Poe e Algernon Blackwood e Stephen King, que falarei na #semana03. Enquanto escrevo estou em processo de leitura de A Volta do Parafuso, novela inclusa no livro Contos de Horror do Século XIX.


Mas, antes de continuar, quero deixar uma coisa clara aqui, a diferença entre histórias de terror e horror. Existe diferença? Sim, existe, eu mesmo até pouco tempo pensava que eram sinônimo. Sendo sucinto, horror é uma coisa que causa repulsa, nojo, que deixa inquieto,  mas necessariamente, não causa medo, são história de nível mais gore, onde jorra-se sangue à revelia. Terror causa medo, vai te assustando lentamente, criando a tensão, é mais psicológico, sugestivo; dá pra se perceber bem essa diferença nos filmes de horror e terror. Filmes de horror são, geralmente, aqueles filmes de mortes sangrentas (seriais killers e seus afins), os de terror, são filmes mais psicológicos e nos causam medo mesmo, o terror trabalha a subjetividade do mal dentro de nós, enquanto o horror trabalha a repulsa que o humano tem frente às situações. No entanto, uma obra pode conter ambos elementos, claro que um vai estar mais presente que o outro.


 Assim, já colocadas as definições, volto a falar do que li. Na primeira semana li alguns contos do livro Contos de Horror do Século XIX, seleção de Alberto Manguel (Companhia das Letras, 2005).
Esse livro ficou algum tempo fora de catálogo e era possível comprá-lo somente em sebos e seu preço era um pouco salgado, mas então, a Companhia das Letras publicou outra edição e com isso o preço ficou mais acessível. Eu pretendia ler os contos na ordem disposta no livro, e foi o que fui fazendo até chegar no conto A Volta do Parafuso, de Henry James, acho que ele deve ser o décimo conto do livro, aí então eu pularia para alguns específicos mais à frente e os leria avulso até ter lido todo o livro. Acabou que li apenas primeiros contos e agora estou dando continuidade. O primeiro do conto do livro foi o que me fez ler nessa ordem, esse conto, A Mão do Macaco, de W. W. James, já me atraía desde quando eu o soubera no livro. Já o havia lido há algum tempo e não me lembrava de todo sue conteúdo, embora recordasse muito bem de seu final tenso. Em seguida foi o conto foi A Família do Vurdalak, de Aleksei Konstantinovitch Tolstói (esse, primo do Tolstói autor de Guerra e Paz) ,o terceiro lido foi O Cone, de H. G. Wells, o seguinte, Os Lábios, de Henry St. Clair Whitehead, após este, os seguintes, A Última Visita do Cavalheiro Doente, de Giovanni Papini e A Larva, de Rubén Dário, em seguida A Fera de Joseph Conrad e, A Mulher Alta, de Pedro Antonio de Alarcón, e, por fim, A Janela Vedade, de Ambrose Bierce. Antes de começar a ler seus contos, fiz uma boa pesquisa sobre o livro, e também assisti a alguns booktubers falando dele, tais foram Tatiana Feltrin, do canal TLT, Rubens Jr., do canal Ler Vicia e Adriana Zampolli, do canal Livros e Post it, sempre falando bem dos contos ali inseridos, sempre elogiando a coletânea e o elaborador. Foi isso que me levou a adquiri-lo, e não me arrependi. A seleção de contos é bem seleta, esses primeiros contos que li mesmo vi uns q gostei pouco e tb outros que gostei muito, como A Mão do Macaco e Os Lábios (esse surpreendente).

Esse vídeo abaixo é do canal TLT da Tatiana Feltrin, gosto muito do canal dela.

Link do canal: Canal TLT 

No vídeo abaixo ela fala a respeito de "Livros e contos de Horror, de Medo, de Morte, etc...", título do vídeo no canal. Ela não fala apenas do livro em questão, Contos de Horror do Século XIX, mas também aborda outros, tais como Os Melhores Contos Fantásticos, organizado por Flávio Moreira da Costa, Os Melhores Contos de Loucura, também por Flávio Moreira da Costa, Edgar Allan Poe - Collected Stories and Poems, fala do conto Venha ver o Pôr-do-Sol, da Lygia Fagundes Telles, conto Miriam, de Truman Capote, também o conto Casa Tomada do Julio Cortázar (esse conto deve ser demais), O Cemitério e O Iluminado, de Stephen King, Horror em Amityville, de Jay Anson (também é ver um outro post onde ela fala de sua impressão do livro e dos filmes que viu, o interessante que ela "detona" a história e tudo o que ela fala faz sentido - não mudo minha opinião que aquela história é real, mas o ponto de vista dela é bem legal também), por fim, O Exorcista, de William Peter Blatty.

 

Esse outro abaixo é o do cana com Rubens Jr., nesse canal entro sempre pra ver e rever os vídeos.


Um adendo, esse ano o canal já está no sexto ano com o Mês do Halloween e foi esse foi o primeiro canal que tive contato (ainda sou um pouco novo nesse segmento de ver vídeos de booktubers). A abertura do vídeo que vi, de Halloween, me impressionou muito (aquelas criaturas se escondendo atrás das árvores, com aqueles olhos brilhantes me dão medo até hoje, e segundo o Rubens, aquilo foi real, foi uma câmera de segurança que pegou numa fazenda). Bem, continuando, o Rubens foi o primeiro booktuber a "comemorar" o Halloween desse jeito e os vídeos dele valem a pena de serem vistos (assim como os da Tatiana e Adriana). 


Essa foi a terceira postagem desse mês de Outubro desse ano, 2017, onde o Rubens fala de todos os contos que pretende ler nesse mês, é uma imensidão de livros e também de filmes cujos trechos aparecem no vídeo, não vou colocá-los aqui porque ficaria muito extenso, mas pra se ter uma ideia são vários livros de contos onde ele se predispõe a falar de um conto por dia, aqui tem contos do livro que eu disse, Contos de Horror do Século XIX, também tem Poe, tem Richard Matheson, tem Stephen King, Ultra-Carnem do César Bravo (esse eu comprei tem poucos dias e assim que chegar vou lê-lo), M. R. James, tem Lovecraft e Robert Bloch e muitos outros, vale a pena ver esse vídeo também.

Abaixo deixo o link pro canal da Adriana Zampolli, Livros e Post It. Ela não fez resenha sobre esse livro, pelo menos não me recordo assim, contudo creio que em algum dos vídeos dela ela fala do livro, mas peço desculpas a quem ler por não conseguir me recordar, mas ela fala bastante de livros de terror também e também "comemora" esse mês de Halloween.

Link do cana da Adriana Zampolli: Livros & Post It

Agora, continuando com o livro que eu vinha falando antes de me perder falando desses booktubers que sigo e gosto. Começando com A mão do Macaco, este é  um clássico, acredito que ele aparece outras antologia de contos de terror. É um conto que começa bem legal, depois, quando a dita mão aparece, uma tensão vai se desenvolvendo até atingir seu clímax e final, e que final! A história é simples, uma família recebe a visita de um amigo, um senhor militar que esteve na Índia e trouxe de lá um amuleto - a dita cuja mão do macaco. Diz que o amuleto pode realizar três desejos a quem pertence, mas que esses desejos realizados vêm de forma não esperada. Bem, ele decide se desfazer do amuleto de um modo abrupto e o chefe da família acaba tomando-o para si sem a intenção de fazer esses pedidos (isso é o que o autor nos diz, mas, isso que é interessante, dá-se pra ver o subconsciente da personagem se manifestando). Acontece que numa outra feita a família decide fazer um pedido e então vem o desenrolar. O terror no conto é bem sugestivo, e quando chega o final não se sabe no que pensar, não se sabe o que se passou com certeza, só se consegue sentir a tensão do casal de idosos e o pavor que a tempestade fora da casa causa!

O segundo conto, do Tolstói (esse é primo do famoso escritor de Guerra e Paz), A Familia do Vurdalak é interessante também. Não tem aquela atmosfera do anterior, mas é possível sentir os ares do século XIX nele. O legal que representa aquelas noites antigas da época que não existia televisão (e acredito que devia ter um tipo de vantagem nisso, pelo menos é o que vemos romantizado, claro que assistir a filmes e séries é bom, mas que temos que concordar que a televisão tem seus momentos de devoradora da vontade, isso ela tem), onde várias pessoas começam a contar histórias, mas as histórias ali narradas são coisas que "aconteceram com primos", o "tal do um amigo do meu amigo disse" - como lendas urbanas -, e então, um senhor, o mais velho ali, abre a boca e diz que as histórias são fantasiosas, falta-lhes autenticidade, e então, narra uma história própria - que vai praticamente pelo conto todo. Lá ele narra a história de uma família, cujo patriarca sai à caça de um criminoso e diz que se não voltar em 10 dias podem dá-lo como morto, mas, que se voltar após esse décimo dia, não o deixem entrar, pois ele teria se transformado num vurdalak (vampiro). Aqui vai um adendo que encontrei no livro Histórias de Vampiros de Claude Lecouteux: Vurdalak não é um termo das crença russa para vampiro, foi inserido por Pushkin que os emprega exclusivamente nos poemas "Marko Jakubovitch" e "Vurdalak", e são basicamente mortos que saem de seus túmulos e sugam o sangue dos vivos. Portanto, os Vurdalak do conto de Aleksei Tolstoi são nossos vampiros - interessante uma coisa, pelo que li, eles saem durante o dia. O conto é até legal, mas não foi um dos meus primeiros favoritos.

O Cone, de H. G. Wells, é legal também, é tenso e envolve simplesmente o adultério, nada mais. Como sabemos, H. G. Wells era um homem da ciência como vemos em seus livros, e esse conto também fica nesse lado de progresso. É uma ode à industrialização, à maquina, ao processo fabril, e nele temos um marido traído pela esposa com seu amigo. O que vem disso?

Os Lábios, de Henry St. Clair Whitehead, foi um de meus preferidos. É um conto cujo protagonista, Luke Martin, é capitão de um navio negreiro. O negro é narrado como sub-humano no conto, mas não podemos criticar Whitehead quanto a isso, porque são as impressões que vemos do capitão do navio. Luke realmente os detesta e os trata como animais. O sujeito passou parte da vida traficando escravos. Quando está em St. Thomas, capital e cidade principal das Índias Ocidentais dinamarquesas onde deixa alguns escravos, a seu mando um dos capatazes chicoteia uma mulher com uma criança para que se movessem, então, essa mulher negra rapidamente se abaixa e consegue sussurrar uma palavra nos ouvidos do capitão. Aí, a coisa desanda. Chega um momento no conto que o título passa a ser insinuado com o espectral que ele representa e você passa a se perguntar "o que foi que aquela mulher sussurrou? Uma maldição? O quê?" E temos a resposta no conto? Isso não vou responder, fica a cargo da curiosidade, no entanto, posso dizer que após esse encontro o capitão passa a sofrer de uma moléstia que jamais o abandona até entregar-se ao delírio. Alguma coisa errada - muito errada - acontece com ele, e ele não quer admitir isso até que vemos um final excelente.

Os outros quatro seguintes foram os que menos gostei: A Última Visita do Cavalheiro Doente, de Giovanni Papini é uma conversa onírica, sem nexo, não gostei mesmo, entendi seu final, mas ficou como alguma coisa que sei lá, não sei! E, A Larva, de Rubén Dário, uma história até que boa, deve ter sido daí que veio as histórias urbanas da mulher que sai do cemitério na noite de Halloween para se passar de humana. O conto não é ruim, nem devo dizer que ele é batido, pq creio que deve vieram vários outros, mas, senti meio vazio. A Fera, de Joseph Conrad, também seguiu esse caminho de eu gostar pouco. O conto é bem escrito e narra as desventuras de marinheiros num navio, o do título. É um navio cheio de caprichos que em todas suas viagens causa assassínios. Não é de todo ruim, eu apenas não gostei; por fim, A Mulher Alta, de Pedro Antonio de Alarcón, que me foi decepcionante. Ah, é válido dizer aqui que todos os contos tem uma espécie de introdução escrita por outros autores ou críticos, e quando li sobre esse A Mulher Alta esperei coisa boa, coisa grande mesmo. Todo o conto é bem escrito e a história vai bem até chegar em seu final. O final foi um golpe no estômago, a dita mulher alta do conto é tida como uma referência à morte, isso a introdução nos insinua, mas fiquei à deriva no final, sem compreender certo o que foi que aconteceu ali. Excetuando A Fera, os outros contos são bem curtos, rápidos de serem lidos, ainda bem!

O último conto que li antes de chegar no A Volta do Parafuso, foi A Janela Vedada, de Ambroise Bierce. Ainda bem que tive o prazer de ler um conto excelente depois de passar por esses outros. Vou falar pouco do conto, mas garanto que é válido de leitura. É um conto curto que narra a história de um homem com hábitos de eremita. Vive afastado da civilização, próximo a uma floresta que, no passado com sua esposa, derrubou algumas árvores para sua sobrevivência, até que uma desgraça acontece na vida do casal e passam a viver no isolamento. É um conto de final ótimo, acho que um dos melhores finais e gostei dele quase tanto quanto do Os Lábios.

No momento, como disse antes, leio A Volta do Parafuso, de Henry Miller. A leitura não está muito amarrada, demorou um pouco porque fiquei envolto em outros contos e novelas, tais como Os Salgueiros de Algernon Blackwwod, um conto do Capote, e Poe e mais alguns outros - todos indicações desses youtubers que falei antes.

O post ficou bem extenso, maior do que eu queria e vou voltar ainda a postar aqui essa semana sobre os filmes que vi e uma temporada de uma série, assim como desses outros contos que falei no parágrafo acima.

Até logo.

Ah, além do álbum Meccano Mind do Syntax fui ouvindo algumas outras músicas, listadas abaixo:


The Smashing Pumpkins - Perfect
The Smashing Pumpkins - 33
The Smashing Pumpkins - Tonight, tonight
Álbum Meccano Mind - Syntax
Judas Priest - You've got another thing comin
Motley crue - Too young to fall in love
Megadeath - Peace sells
Autograph - Turn up the radio
Twisted Sister - I wanna rock
Ozzy Osbourne - Bark at the moon
Anthrax - Madhouse
Iron maiden - 2 minutes to midnight

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Marlena de Blasi e Julie Powell

De antemão digo: não sou crítico literário e nem tenho ares pra fazer isso aqui, não pretendo sê-lo e "julgar" um livro aqui, o que quero fazer é comentar sobre minhas impressões sobre esses livros que tratarei hoje, assim como fiz com livros anteriores. Portanto, peço desculpas às pessoas que discordarem de mim (se é que alguém irá ler isso).


Mil dias em Veneza

Sinopse:


"Este livro pode parecer um conto de fadas, mas é uma história de amor verídica - o amor entre uma mulher e um homem, o amor pela comida e o amor por uma cidade. Por muito tempo, Marlena de Blasi resistiu a ir a Veneza. Até que, em 1989, seu trabalho como chef e crítica gastronômica tornou impossível continuar adiando a viagem. Assim que pôs os pés na cidade, ela ficou completamente seduzida. Seu encantamento foi tão grande que decidiu voltar todos os anos. Em 1993, ela almoçava com amigos quando um garçom se aproximou e lhe disse que havia uma ligação para ela. Do outro lado da linha estava Fernando, um veneziano que, um ano antes, vira Marlena passeando pela Piazza San Marco e se apaixonara à primeira vista. Alguns meses depois, Marlena largava toda a sua vida nos Estados Unidos e se mudava para Veneza, para se casar com o "estranho", como costumava chamar Fernando. Ele não falava quase nada de inglês. O italiano dela se resumia a algumas palavras relacionadas a comida. Ele abrira mão de seus sonhos e levava uma vida monótona e previsível. Ela era mestre em recomeçar e se reinventar. Ele gostava de tudo muito simples, inclusive as refeições. Ela adorava cozinhar pratos elaborados. À medida que eles superam essas diferenças e Marlena vai se familiarizando com as peculiaridades da cultura veneziana, os leitores são presenteados com uma descrição deliciosa e às vezes cômica de duas pessoas de meia-idade que, apesar de tudo, conseguem criar uma relação maravilhosa."

Tem pouco tempo que reli Mil dias em Veneza não sei pela-qual-vez. O livro é bom? Pela sinopse parece-se que vamos ler uma nova Cinderela, uma história ultrarromântica, mas não é bem assim. Primeiro, o romance entre a protagonista-biógrafa-heroina, Marlena, é mais entre ela e a cidade do que entre ela e o "estranho". A relação dos dois seres humanos parece amarrada. Claro que consegue-se ver que existe um caminho ali, uma aprendizagem entre ambos; afinal, não falavam o mesmo idioma e pareciam mais adolescente que pessoas maduras. É nisso que digo que a história é amarrada e em alguns momentos dá-se vontade de abandonar a leitura... então, como posso ter lido esse livro mais de uma vez? O fato de gostar do modo que a poesia se faz presente ali. Existe uma poesia nas frases longas de Marlena, existe a poesia e seu amor com o mercado, de seu amor com Fernando, do fato de ter abandonado uma vida nos EUA e ter ido morar em Veneza com um homem que não conhecia, que vira a primeira vez num encontro que parecia mais um desencontro; que passaram algum tempo nos EUA e ela pôde ver as manias desse homem. Gosto disso no livro. Gosto mesmo. Sei que pelo ano que ela viveu isso seria até compreensível, afinal, nos dias de hoje seria loucura! E bota loucura nisso!!! Afinal, hoje em dia é fácil encontrar um sujeito que vai se comportar como um maluco depois - hoje em dia não existe mais esse salto de fé no romântico como existia algum tempo atrás. Sei que muita gente vai discordar disso, mas, penso assim. Abandonar tudo pra viver um amor, aos 50 anos, é meio doido e romântico ao mesmo tempo. E, é nisso que fico intrigado. O amor no começo era por Fernando ou por Veneza? Será que ela foi apaixonada pela cidade e depois se envolveu sentimentalmente com "o estranho"?

Ela descreve Veneza de um jeito muito bem detalhado, dá pra sentir seus passos pelas pontes, seus passeios pelo mercado, os passeios pelo baia até a ilha de Lido, onde morava com Fernando, é possível ter todas essas sensações. E, tem a parte gastronômica do livro. Dá fome, vontade de comer? Nem sei explicar direito o que dá, mas sei que dá vontade de experimentar alguma coisa diferente. Excetuando isso tudo, fica o arrastado relacionamento, a descoberta de conhecimento entre ambos, os preparativos pra um casamento, a reforma de um apartamento, que segundo ela, poderia ser a alcova de Savonarola e, por fim, um tipo de despedida que dá sequência a um outro livro, esse sim, com maior impacto.

Repito, o livro é ruim? Não, não é. Eu o li a primeira vez quando ainda cursava a faculdade de Letras, em 2011 e o livro me deixou encantado. Claro que naquela época eu estava encantado com Veneza, com as histórias que havia lido da Sereníssima e também havia pouco tempo tinha acabado de reler Chore Para o Céu de Anne Rice, que também tem parte da narrativa em Veneza e ainda estava encantado com a Barcelona de Carlos Ruiz Zafón, portanto, queria mais sobre histórias de históricas cidades europeias. Acredito que esse foi meu primeiro encanto com o livro e que me fez relê-lo algumas vezes e suas sequências.

Mas, como disse anteriormente, a paixão pelos livros de Marlena se aprofundou no subsequente ao Mil Dias em Veneza. Foi a leitura de Mil dias na Toscana que me encantou mais que tudo... ah!... a Toscana. Claro que eu já era apaixonado pela Toscana (influências do filme Sob o sol da Toscana e mais algumas coisas que havia lido - o mesmo amor que tenho pela Provence, influência de Peter Mayle rsrsrsrs) e ao ver que existia esse livro de sequência e que ele estava em minhas mãos, foi sublime.

Ah, ambos os livros eu havia retirado emprestado na Biblioteca Municipal de Lençóis Paulista, cidade que morava na época.

Mil dias na Toscana

Sinopse:

"Há alguns anos, quando se conheceram, Marlena e Fernando se apaixonaram à primeira vista e começaram a viver uma história de amor que mais parecia um conto de fadas. Agora, decidem que chegou o momento de dar adeus a Veneza, onde tudo começou, e partem em busca de uma vida mais tranquila.
O destino escolhido é San Casciano dei Bagni, um vilarejo com 200 habitantes, fontes termais e olivais centenários. De início, Fernando está mais empolgado do que Marlena. No entanto, nesse pedaço de terra onde a Toscana, a Úmbria e o Lácio se encontram, as amizades amadurecem à mesa, em torno de refeições gloriosas regadas a vinho tinto. O que poderia ser melhor para uma chef de cozinha?
Novamente, Marlena e Fernando vivem um caso de amor à primeira vista. Dessa vez pela aldeia e pela vida no campo, pelos vinhos artesanais e pela esplêndida cozinha, pelo céu toscano e pelos sinos da igreja local. Mas, acima de tudo, pelo velho Barlozzo, que os recepciona, os adota e, aos poucos, também se apaixona por eles.
Guiados pelo "duque", eles descobrem tabernas rústicas, onde o jantar é qualquer coisa que tenha sido colhida ou caçada naquele dia; participam da vindima; visitam festivais sazonais; catam castanhas no bosque; saem para caçar trufas e cogumelos selvagens; sobem em árvores para apanhar azeitonas, uma a uma, e depois experimentam o azeite recém-espremido sobre um pão simples de casca crocante.
À medida que o afeto entre eles vai crescendo, Barlozzo começa a mostrar suas feridas abertas e a revelar seus segredos mais profundos. Um deles tem a ver com Floriana, uma linda e agradável senhora que logo se torna amiga inseparável de Marlena.
Ambientado num dos lugares mais bonitos do planeta, Mil dias na Toscana é uma história sobre um estilo de vida simples, doces paixões, amizades e refeições compartilhadas. E, acima de tudo, é uma história de amor verdadeiro ¿ um amor que não tem idade nem fim."


 Bem... Mil dias na Toscana... um bom vinho pra beber enquanto o lê, uma música bem tranquila (eu ouvia regularmente os Noturnos de Chopin enquanto relia esse livro nessa última vez), e abre-se um tipo de mundo mágico cheio de aromas, de comida, de bebida e um tipo de felicidade simples e palpável. Assim, foi pra mim reler Mil dias na Toscana. Como o anterior, Mil dias em Veneza, já reli esse livro inúmeras vezes. Terminei de reler o Toscana ontem, no ônibus enquanto retornava do trabalho e foi a mesma sensação que senti algumas outras vezes, um tipo de despedida, um tipo de saudade que parece que nunca vai ter fim.

Diferente do anterior esse livro tem um pouco mais de ritmo, e não cai na sensação de amor da protagonista-biógrafa-heroina Marlena pela cidade San Casciano dei Bagni... agora existe um amor pelo todo, pelas pessoas - especialmente Barlozzo e Floriana -, pela comida local, pelos vinhos; uma sensação de poliamor constante!

O livro é bom? No skoob dei-lhe 5 estrelas e continuo louvando-o: é um ótimo livro. Tem seus defeitos, não é clássico, mas tem sua poesia e seu próprio ritmo. Existe sempre a sensação da necessidade de estar experimentando, comendo e bebendo, alguma coisa enquanto o lê. O livro é repleto de vinhos (e os Prosseco são sempre lembrados), de ervas selvagens, de animais selvagens, de pães rústicos, de comida rústica, ainda mais quando se trata do restaurante de beira de estrada de Pupa.

A história em si é mais complexa que em Veneza, neste Fernando está presente e não é aquele fantasma de Veneza... e é estranho porque ele parece ser um fantasma que se faz carne pela presença de um outro fantasma (que é de carne), uma assombração que "gruda" no casal durante todo o livro.
Barlozzo, o "duque". Só pra deixar claro uma coisa que faz a ligação entre o primeiro e esse livro: a vontade de "fugir" de Veneza foi de Fernando, ele se sentia cansado da Sereníssima e queria recomeçar em outro lugar e então o casal em sua busca encontrou a Toscana e San Casciano. Logo no primeiro dia, no dia da mudança, começaram as amizades, Marlena conheceu Floriana e naquela noite o "duque", Barlozzo. É interessante como a culinária é intrínseca à narrativa e se você for o tipo de pessoa que não gosta de romances gastronômicos talvez vai achá-lo maçante, bobo, insosso.

San Casciano dei Bagni
O que gosto no livro é a construção e amadurecimento da personalidade do casal em relação ao meio. Eles se autodescobrem e se auto-identificam enquanto vão aprendendo sobre as histórias da pequena cidade, enquanto vão partilhando a comida local, enquanto vão vivendo de acordo com o que tem que ser feito na vida: vivendo na poesia. O livro todo é poético, é uma canção de amor à Toscana e aos costumes locais, é uma ode à amizade e ao amor à boa comida e ao vinho. Tem momentos que fica-se impressionado pela quantidade de vinho consumido pelos toscanos (rsrsrs - ou será que foi inveja?). Barlozzo está sempre presente, assim como Floriana e sempre fica-se com a sensação de que queria ter um amigo assim na vida. Essa figura os apresenta a tudo, os convida para uma colheita de uvas, para uma colheita de azeitonas, para caçarem trufas, e conta sobre a veglia, uma época de fome, e assim, decidem fazer um jantar como acontecia nesse período negro. Eles cozinha, assam pães, bebem muito e passeiam. A Toscana de Marlene é um lugar a ser conhecido. Durante o livro, Marlena fala sobre sua vontade, junto com Fernando, de desenvolver um tour gastronômico na região. Creio que esse tour exista, não pesquisei muito sobre ele, mas creio que exista e é um tour que eu adoraria fazer.

É um livro que decerto voltarei a ler, assim que suas sensações se dissiparem... é um livro que relerei bebendo um bom vinho e ouvindo os Noturnos e Vivaldi (outro que eu ouvia com frequência no decorrer da leitura). A sensação de vazio que me deixou seria preenchida pelo subsequente (que também já li), mas resolvi encarar uma outra leitura.

Julie e Julia de Julie Powell

Resenha:

"Julie estava em crise. Prestes a completar 30 anos, insatisfeita com o emprego de secretária de
repartição pública e sufocada pela pressão crescente para ter um bebê, sentia-se incapaz de dar rumo diferente a sua vida. Para piorar um pouco mais, ainda foi obrigada a se mudar com o marido para uma quitinete em um bairro afastado, a quilômetros de distância do trabalho e dos amigos. Parecia mesmo um beco sem saída. Porém, como costuma acontecer em casos como esse, a solução estava no lugar mais improvável: no velho livro de receitas guardado na cozinha da casa da mãe. Meio por acaso, Julie se surpreende experimentado a primeira receita de Mastering the Art of French Cooking. Onde essa despretensiosa experiência culinária iria parar, nem a própria Julie seria capaz de imaginar. Dado o primeiro passo, ela decidiu seguir adiante e enfrentar o desafio de fazer as 524 receitas contidas no clássico de Julia Child em apenas um ano e escrever um blog relatando a façanha.  Como se não bastasse, teria ainda que lidar com um casamento a perigo, um emprego na corda-bamba e uma possibilidade nada remota de perder de vez a sanidade mental. Tudo isso para, entre risos, lágrimas e vexames, aprender uma saborosa lição sobre a arte do bem viver."

Senti-me desamparado depois que terminei Mil dias na Toscana. Acontece isso algumas vezes quando termino um livro e não tenho em mente o que lerei depois. Eu tinha um plano de leitura, mas não tinha livros específicos. Adquiri o hábito de ver alguns canais do youtube que falam de livros, os tais booktubers. Vejo 2 com uma constância e um terceiro (que foi na verdade foi o primeiro que comecei a ver, e quando digo ver, quero dizer assistir vários vídeos pra depois passar pra esses outros dois) que costumo ver vídeos mais antigos. Os dois que vejo com constância são os:

Livros & Post It
esse da Adriana Zampolli
e

Tatina Feltrin
da Tatian Feltrin

e o terceiro de um cara que é uma figura, muito gostoso de assistir:
Ler Vicia com Rubens Jr.

São três canais bem gostosos de se assistir e que se aprende sobre livros e o ato gostoso de ler e passei um bom tempo vendo os vídeos do ano passado e desse ano, desenvolvendo mais a vontade de ler e até adquirindo alguns livros indicados por ele, assim como passei a conhecer uma nova editora que esse pessoal gosta bastante a editora Darkside.

Mas, dando sequência ao que eu dizia antes de me perder falando desses canais... depois de assistir seus projetos de Halloween do ano passado resolvi criar um meu, pra esse ano. Decidi ler alguns livros no Halloween, no mínimo 4. Bem, então, tinha eu terminado de enamorar o Mil dias na Toscana e ainda não é outubro, ainda não ia querer começar a ler esses livros, ainda mais porque ainda nem os escolhi, tenho uns preferido e dois até definidos, mas ainda não era hora de lê-los, ainda não era hora de eu escorregar pro terror, poderia ainda deixar esse estado melancólico e bucólico que os Mil dias na Toscana criou dentro de mim... mas tinha que ser outra coisa sobre gastronomia, ou vinhos. Como já li algumas vezes Peter Mayle, decidi ler um livro que adquiri já tem algum tempo, mas que não tinha lido: Julie e Julia de Julie Powell.

Creio que o filme é mais conhecido que o livro, eu mesmo pensara que o livro fora consequência do filme e me espantei ao ver que era o contrário. Interessante! O filme já está gravado em mim, e faz parte dessa nova vida que levo, ele esteve presente numa situação que antecedeu essa minha boa nova vida e será sempre lembrado por isso e a vontade de assisti-lo de novo era coisa que sempre ocorria e ocorre (até nesse momento, mas vou esperar para terminar o livro, dessa vez). Então, essa manhã, heis que o tenho em mãos e começo. O primeiro capítulo (que nem tem nada do filme, graças a Deus) é bem divertido, afinal, ali se lê sobre as impressões de derrota da autora, ela se sente perdida, quase aos 30 e sem saber o que fazer, nem tem emprego fixo, é uma aspirante a atriz (e má atriz) e tem um marido que pode estar ficando de saco cheio; et voíla que ela redescobre Julia Child na despensa de sua mãe e as memórias de sua infância retornam. O legal é poder ver isso ser descrito, existe algo bem legal nessas descrições de infância de livros que ela lera, de se achar uma criança diferente, de tudo o que acontecia não ser uma coisa direta de sua vida, mas como se fosse uma vida aparte à sua.

Pretendo terminar esse livro essa semana, e então, cair-me sobre os livros de Halloween e deixar meu encanto pelas histórias de terror se manifestar esse mês... que venham os livros e os filmes pra celebrar o Halloween!